Saturday, August 09, 2014

A guerra na Palestina: ouvindo o que Israel tem a dizer (PARTE 2)


Por Thiago C.S.
Tópico abordados nessa parte:

- O Mandato Britânico da Palestina e a moderna divisão territorial do Oriente Médio

O Mandato Britânico da Palestina e a moderna divisão territorial do Oriente Médio

O movimento sionista conseguiu uma grande vitória em 1917, com a Declaração de Balfour, do então secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, dirigida ao Barão Rothschild, líder da comunidade judaica do Reino Unido, para ser transmitida à Federação Sionista da Grã-Bretanha. A carta se refere à intenção do governo britânico de facilitar o estabelecimento do “Lar Nacional Judeu na Palestina”, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região (o que de fato ocorreu com o término da Primeira Guerra Mundial e a subsequente assinatura do Tratado de Sèvres em 1920 e sua ratificação pelo Tratado de Lausan ne em 1923).


Império Otomano -  A parte mais escura corresponde ao território dominado pelos turcos no momento em que teve início a Primeira Grande Guerra. A  região da Península da Anatólia daria origem, alguns anos depois, ao moderno Estado da Turquia. A quase totalidade do território restante seria divido pelos Franceses e Ingleses e daria origem a: Síria, Líbano, Iraque e ao Mandato Palestino.

Os sionistas, porém, só viram a promessa de um estado judeu se tornar realidade mais de duas décadas depois. Após a queda do Império Otomano (que não era um império árabe, mas turco). Ao fim da Primeira Grande Guerra, Ingleses e Franceses dividiram o território da potência derrotada, o que deu origem aos modernos Estados da Síria, Líbano e Iraque.  Todos árabes. Já os turcos conseguiram manter o domínio sobre a Península da Anatólia, onde hoje existe a Turquia. O território restante, conhecido como "Mandato Britânico na Palestina" (ou simplesmente, Mandato Palestino, ou ainda Protetorado Britânico da Palestina), teria, segundo promessa do Império Britânico, uma parcela destinada ao estabelecimento do “Lar Nacional dos Judeus”.


Os novos Estados árabes, Líbano, Síria e Iraque. O pedaço restante (indicado no mapa como Transjordânia e Palestina, pois assim foram divididos posteriormente) corresponde ao Mandato Palestino.


Mandato Britânico na Palestina

Porém, em 1921, quase 80% do Mandato Palestino foi entregue aos Hashemitas – uma dinastia árabe –, dando origem ao que hoje conhecemos como Jordânia, ficando os judeus proibidos de se estabelecer na região. O que restou do território – o pequeno trecho entre a margem ocidental do Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo – continha assentamentos tanto de árabes quanto de judeus.


Transjordânia (Jordânia)

A pressão para o estabelecimento de uma pátria judaica ganhou contornos dramáticos a partir do Holocausto Nazista, que vitimou 6 milhões de judeus, e, em 1948, as Nações Unidas votaram por particionar o restante do Mandato Palestino – a parte que não havia sido dada à Jordânia – para criar um Estado Judeu.
Segundo o plano de partição, foram entregues aos árabes uma porção de terra ao oeste do Rio Jordão e uma faixa de terra ao longo do mediterrâneo e da fronteira com o Egito. Aos Judeus, foram concedidas três faixas descontínuas de terra: uma ao longo do Mediterrâneo; outra no Deserto do Sinai; e uma terceira na fronteira com Líbano, Síria e Jordânia. Jerusalém ficaria em um enclave administrado temporariamente pelas Nações Unidas. O pedaço que coube aos judeus, bem menor que do que as pretensões originais dos sionistas, correspondia a cerca de 12% do Mandato Palestino original e 60% dessas terras estavam localizadas no Deserto de Negev. Dessas partes pouco promissoras, os judeus criaram Israel, em 1948.    

Partilha dos 20% restantes do Mandato Palestino após a criação da Transjordânia (80% do Mandato Palestino Original), o quarto Estado Árabe criado a partir da divisão do extinto Império Turco Otomano. 

Assim, das ruínas do Império Turco Otomano – derrotado na Primeira Guerra Mundial – surgiram além do moderno Estado da Turquia, quatro Estados árabes: Síria, Líbano, Jordânia e Iraque. E, em 29 de novembro de 1947, foi definida a criação de um quinto Estado Árabe que nasceria junto com o Estado Judeu.

É interessante notar que essa região, antes de ser incorporada pelo Império Otomano, havia sido parte do Império Romano do Oriente, que por sua vez integrou um antes unificado Império Romano. E boa parte do Mandato Palestino original, antes de ser conquistada pelos romanos, era um território hebreu.

É preciso salientar que jamais houve um Estado Palestino onde hoje está localizado Israel e que o movimento para a criação de uma nação de árabes palestinos só se tornou relevante após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os árabes que viviam na região acreditavam, em sua maioria, fazer parte de uma nação identificada como a “Grande Síria”, que englobaria toda a região onde hoje estão Líbano, Síria, Jordânia e Israel (e segundo alguns, também o Iraque).   

Houve, isso sim, antes das conquistas romanas, dois outros Estados judeus naquela região, embora nos últimos séculos essa área tenha sido habitada tanto por judeus como por árabes. Assim, à época do nascimento de Israel, árabes palestinos viviam em 88% do território do Mandato Palestino original e nos 12% restantes, alocados a Israel, viviam cerca de 800.000 árabes e cerca de 650.000 judeus (esse número aumentaria rápida e extraordinariamente como resultado do influxo de judeus vindos da Europa e de regiões as mais diversas do Oriente Médio – de onde foram expulsos).

Os judeus aceitaram a partição final do Mandato. Mas as nações árabes o recusaram: cinco delas –Síria, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito –  invadiram o Estado de Israel em seu primeiro dia de existência, dando início à guerra de 1948.

Na próxima parte: As guerras de 1948 e 1967.


 *Parte relevante das informações relatadas nesse texto (dividido em quatro partes) foram extraídas dos livros “Myths and Facts: A Guide to the Arab-Israeli Conflict”, de Mitchell G. Bard (https://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/myths3/mftoc.html); e “Why Israel is the Victim”, de David Horowitz (http://www.frontpagemag.com/2013/david-horowitz/why-israel-is-the-victim/ ).
Outras referências utilizadas nessa parte:

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