Monday, April 27, 2009

Da cachaça


Fotógrafa sensacional: Nathalia Turchetti
Modelo desvairada: Sabina insustentável (a garrafa é meramente ilustrativa e sem conteúdo alcóolico. Sabina Insustentável não bebe e o texto é inspirado em experiências alheias)

Era bom que, quando a gente tomasse uma, qualquer tipo de meio de comunicação deixasse de funcionar. Detectado o bafo do álcool, um dispositivo poderia ser acionado e o celular, msn e afins seriam automaticamente desligados. Infelizmente, a microsoft e as operadoras de celular ainda não perceberam o perigo da combinação bebida-produtos eletrônicos. Nem o Ministério da Comunicação... que poderia advertir: o álcool combinado aos meios de comunicação destroem a moral.

Thursday, April 23, 2009

Dos canalhas



Mais uma das peças de bar.
Sozinha, aguardando a chegada de um amigo, não pude deixar de prestar atenção em oito mulheres sentadas na mesa ao lado. Resumo da conversa entre todas: Homem cafajeste é que nem cigarro: vicia, dá prazer, mas faz um mal do caraio.

Ah! E a maioria dos "homens-cigarro" são batizados com uma misturinha alucinógena...

E a mulher fica tonta, vendo coisa, enxergando um futuro que nem existe.


vai um aí?

Wednesday, April 22, 2009

Da essência



Pandora sempre foi uma caixinha de surpresas. Desde pequena surpreendia a famiília com sua sagacidade e jeito imprevisível. Começou a ler antes de aprender na escola. No carro com a mãe, o jornal em cima do colo, soletrou uma palavra da manchete principal: PE-CA-DO. A mãe quase bateu o carro de susto... e orgulho. Mal sabia ela que há muito Pandora costumava segredar para si as palavras dos outdoors da cidade. Tinha só cinco anos.
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Cresceu ouvindo que o sexo feminino deveria prezar a independência porque os homens não prestam. Com 16 anos e corpo de mulher começaram os estragos. Aos 22 - estagiária de uma empresa de comércio exterior -, de tailler moderninho e salto agulha, pisoteava corações masculinos. O figurino era recheado com um corpinho de 1.75 m e clássicas medidas 90-60-90.
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Aos 25, já contratada pela empresa de comércio exterior, as medidas mudaram. Ela não. A primeira e a última ganharam alguns ml de silicone: 96-60-102. Números não mais arredondados, em compensação o corpo sim. Este também ganhou mais adeptos.
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Cercada de "homens vazios", como ela mesma dizia, fazia do jogo da sedução seu melhor passatempo. E o sofrimento dos pobres que se achavam pretendentes, sua melhor recompensa. Cultivava nos outros os pecados da luxúria e da ira. Controlava a avareza, a gula e a preguiça. Despertava a inveja feminina. Emanava soberba.
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Aos 29, funcionária pública bem sucedida e residindo nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas, perdeu a graça de viver. Sentia falta de um bração constante que a envolvesse na hora de dormir. Alguém do sexo oposto para lhe fazer carinho no domingo à noite. Pra brindar um cálice de vinho tinto num dia feliz. Pra brigar pela fatia de bolo mais recheada. Queria um filho.
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Conheceu Matoso, nordestino da porra, funcionário público em estágio probatório. Bonitão, morenão, machão, diferente dos tipos modernos e sensíveis a que tinha se acostumado. Ficou louca. Ele cultivou nela a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Ela passou a despertar a compaixão feminina quando deixou a soberba embrulhada na gaveta da escrivaninha do Matoso. Aos 32 casou, teve 3 filhos homens e emendou a licença maternidade com o trabalho doméstico.
Pandora descobriu-se Amélia...

Tuesday, April 21, 2009

Da música



E eu que não costumava usar Ipod, colei música nos ouvidos nos últimos dois dias.
Não é que as ruas ficaram bem mais bonitas com trilha sonora?

Monday, April 20, 2009

Do filho do autor

Ontem, mal humorada e a muito custo, abri o livro para estudar. "Tudo que é sólido desmancha no ar", uma análise da modernidade feita por Marshall Berman. Ainda no prefácio, no último parágrafo dele, meu coração ficou do tamanho de uma jujuba:
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"Logo depois de terminado este livro, meu filho bem amado, Marc, de cinco anos, foi tirado de mim. A ele eu dedico Tudo que é sólido desmancha no ar. Sua vida e sua morte trazem muitas das idéias e temas do livro para bem perto: no mundo moderno, aqueles que são mais felizes na tranquilidade doméstica, como ele era, talvez sejam os mais vulneráveis aos demônios que assediam esse mundo. (...) Manter essa vida exige talvez esforços desesperados e heróicos, e às vezes perdemos. Ivan Karamazov diz que, acima de tudo o mais, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar" (BERMAN, 1981, p.14). Essa última frase grifei até furar a página.
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Já fechei o livro ainda no início (como bem podem comprovar na página da citação) e fui pesquisar sobre o Berman e seu filho. Me encantei pelo teórico e seu otimismo. Sobre Marc, segundo o comentário de uma duvidosa menina em um blog, parece que ele caiu da janela. O que não deixa de fazer sentido de acordo com a dedicatória. Para além de interpretações de cunho histórico e econômico como fez Marx em seu Manifesto Comunista - lugar da frase que dá título ao livro do Berman - o caso ilustra bem como, hoje em dia, mais do que nunca, Tudo que é sólido desmancha no ar. Contraditoriamente, o que deve ser fixo, rijo e certo, num instante vai-se embora: a vida, de uma hora pra outra. "A rotina diária dos parques e bicicletas, das compras, do comer e limpar-se, dos abraços e beijos costumeiros, talvez não seja infinitamente bela e festiva, mas também infinitamente frágil e precária" (BERMAN, 1981, p.14)
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Depois desse trecho e da pesquisa na internet, devorei o livro. Também recomendo as páginas depois do prefácio. Analítico sem ser chato, o livro é feito com sensibilidade. Mais um caso em que o sólido se desmancha no ar.

Friday, April 17, 2009

Da saudade, da saudade...

Eu e meu amigo publicitário Bê Sant'anna falávamos hoje sobre saudade. No seu blog (http://besantanna.blogspot.com/), ele escreveu que "A saudade longe é difícil. A saudade perto é phoda". Minha primeira reação diante dessa frase que parece mais não é paradoxal, foi uma cara de "hã?". Mas depois, por experiência própria, entendi o que de tão lindo Bê disse. Para mim, ele quis dizer o que escrevi logo ali embaixo, uma frase da crônica de Martha Medeiros, que eu lembrei quando senti... e ainda sinto: "Saudade é não querer saber e, ainda assim, doer". E é bom viver para entender coisas assim, de uma dor que substitui outra, como essa saudade que a gente escolhe ter esperando que o tempo apague o que antes doía, mas não era saudade...
Essa, sem dúvida, é mais phoda que a geográfica saudade de quem, inevitavelmente, está longe. Saudade longe tem cura alegre. Saudade perto machuca até ir embora.
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Coloco em seguida mais um trecho dessa crônica da Martha que, como bem disse Bê, "'É isso":
(...)A saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
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P.S- No Blog da Mari (http://passagemparabelem.blogspot.com/), tem a crônica na íntegra. Três blogs linkados pelas cabecinhas aí do lado, como fofamente diz a Mari em um post seu, e pelo tema saudade...

Wednesday, April 15, 2009

Da gula compartilhada


Não dá para ver, mas, na mesa, restinhos de filé empanado com molho de gorgonzola
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Depois de uma temporada na Europa, meu amigo Klaus decidiu controlar a alimentação, achando que ganhou quilinhos a mais fora do Brasil. Também pudera, já viajei com o Klaus e vi que ele é dos meus... tem alma de gordo! Difícil resistir a uma fritura, fast food, pizza com um metro de recheio e tantão de queijo que, puxado pelo garfo, tem uma elasticidade que vai no teto (ai, lembrei da de palmito da Pizzaria Guanabara!) e todas essas besteiras que fazem o acúmulo suado de exercícios físicos constantes irem para o saco num único feriado em que saímos da rotina.






Para se ter uma idéia, nosso cardápio numa manhã carnavalesca na praia de Ipanema:





  • antes de chegar na praia, paradinha na lanchonete para um enrolado e coca normal (no feriado coca normal pode)


  • já na praia de Ipanema, (muita) cerveja, milho cozido, queijo na brasa, biscoito O Globo, Castanha de caju (ou seja, tudo que passou pela nossa barraca)


  • No caminho para a praia do Leblon, R$ 7,50 no sorvete magno de doce de leite transportado no carrinho, por isso mais caro. E condeno o Klaus por ter me aplicado nesse magnífico sorvete, hoje mais uma tentação a resistir.


  • Na praia do Leblon, alguns coliformes fecais que provavelmente ingerimos durante o mergulho que não deveríamos ter dado.

Enfim, Klaus voltou da Europa decidido a fazer dieta. Telefona e me chama para um açaí. Penso: "Poxa, tá saudável mesmo". Acordei com essa ligação dele, fome danada, fazendo jus à comunidade mais bem bolada do orkut "comer dá sono e dormir dá fome". Numa vontade sem igual de comer Mac, pensei comigo mesma sugerir a comida do Ronald convicta, claro, de que ele não ia negar (era domingo. No domingo pode). Saio da portaria, vejo-o na janela do carro acenando e dali mesmo grito: "Quero Mac!!!". Ele gritou de volta: "Ah, não!". Penso no trajeto portaria-carro do Klaus: "Poxa, ele tá determinado mesmo". Mas ao entrar no possante, fechando ainda a porta, escuto: "Animo da gente comer na Mac e depois ir na easy ice comer o açaí". Rá! Esse é o Klaus. Somos nós, aliás.





P.S- Na fila da Mac, com vontade de Mac Duplo, mas querendo a maionese do Mac Chicken, fiquei com preguiça do martírio da dúvida hamletiana... e pedi os dois. Klaus, querido amigo médico, um apelo! Se quiser continuar sendo meu amigo, mude de especialidade. Cirurgia Plástica, por favor. Nesses tempos em que temos andado juntos, o sol tem brilhado mais e as noites têm sido mais iluminadas. Mas a lua cheia não precisa brilhar na minha cara !




Saturday, April 11, 2009

Dos conceitos

Fazer um mestrado em busca de mais conhecimento. Esse foi o meu propósito maior. Nem sabia (e continuo não sabendo) se iria enveredar pelos hoje-sei-tortuosos caminhos acadêmicos. Escolher o curso de Letras, foi no intuito mesmo de ampliar o saber, adentrando noutro universo das ciências humanas que não o da minha graduação, o jornalismo. Mas as coisas não foram tão românticas como eu imaginava. Penderam mais para o deprimido poema do Beco* de Bandeira ou para um desaforado Gregório de Matos, quando da melancolia e desânimo eu atravessava para a fúria emitindo impropérios pela minha boca que mais parecia do inferno.
Além do trio de professores tiranos que o levado destino me aplicou, a teorização de determinados conceitos me irritavam profundamente.
O QUE É LITERATURA?
Eu pensava cá comigo "sei lá, porra", sentada, dura, numa cadeira pra mim elétrica, com aquela stalinista de sotaque venezuelano me encarando com um fuzil nos olhos e fazendo essa pergunta idiota. Depois fui pensando meu conceito e, como jornalista, já tenho um pronto: "Literatura é escrever sem apurar" e ponto final.
Me irritava mais ainda as teorizações sobre a diferença entre autor e narrador, as discussões sobre a morte do autor (af!) e qualquer outra bobajada que me fez, por dois anos, não ler um livro levemente... como eu lia antes do mestrado. Tentar fazer da literatura uma ciência? Então tirem a graça dela como bem o fizeram nesse programa de pós-graduação (não sei dos outros pelo Brasil, falo da minha experiência)!
E naquele tempo de teorias "profundas" ia me dando saudades da aurora da minha vida, minha infância, quando eu tinha só que responder perguntas do tipo:
- O que é o vento, Patrícia?
-É o ar em movimento, professora.
Resposta simples e direta. Mas que pelo menos faz um sentido danado.
*O poema do Beco para quem não conhece:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco
(Manuel Bandeira)

Tuesday, April 07, 2009

Do Harold

Querido amigo,

Ontem, 6 de abril, pensei muito em você. Tentei ligar, mas acredito que o telefone salvo na agenda está desatualizado. Mas já prestes a dormir, alta madrugada, triste por não ter conseguido falar com você, tive a idéia de registrar no meu blog os parabéns e o carinho que sinto.
Para quem não conhece o Harold, aproveito para apresentar no meu espaço. Amigo desde a quinta série, peça rara do naipe fundão, hoje pai de uma menina que tem nome de prima-irmã. Mesmo ele deixando o colégio na sexta série, um ano de convivência foi suficiente para uma cumplicidade sem fim...
O que mais me encanta nele, é a amizade leal. Estivesse eu em Recife, Brasília, BH ou Rio Grande do Sul, ele sempre deu um jeito de me encontrar e ligar nas datas especiais: aniversário e natal. Eu também tento, Harold. Mas embora jornalista, não tenho esse seu faro detetivesco. Mas saiba que não passei nenhum 6 de abril sem pensar em você. E assim vai mais de uma década de amizade em que não deixamos de nos falar um ano sequer. Ainda bem que hoje em dia temos a tecnologia diminuindo fronteiras e saudade, embora a saudade nunca mude. E também proporcionando a chance de burlar a minha falta nos anos em que deixei de ligar: tá aqui carimbado e declarado nesse texto singelo, postado no dia 7 de abril, que eu nunca me esqueço.
E, por favor, me mande seus números de telefone.
Com amor todos os dias... 6, 7, 8, 9... de todos esses anos e dos que virão,
Pati.

Monday, April 06, 2009

De ultimamente

Suldades.

Suldades do que foi bom
naquele lugar longe que, agora de longe, sinto casa.
Do outono e da primavera lá
e de quem faz suldade existir.
Uma ponta de saudade de mim
antes de tanta suldade sentir
P.S-
virei oitenta por cento de ferro na alma...
Só que, pra mim, Santa Maria (ainda) é mais que um retrato na parede
Mas, tal qual Drummond, como dói...
Parodoxal?
Sentir suldade também é.

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